Escolhidos para você

Hey, tudo bem? Eu sou a Clayci e estou aqui no PPN já tem alguns anos, mas acho que não cheguei a falar do meu blog pessoal. Lá eu compartilho dicas de leituras, séries e tudo que me atrai no mundo no entretenimento. Esse ano decidi levar mais publicações sobre jogos. O meu objetivo não é avaliar gráficos e jogabilidade, mas apresentar enredos e questões importantes para serem discutidos. Assim como nos livros, alguns jogos se aprofundam na história de alguns personagens e incluem discussões como política, religiões, problemas sociais e comportamentais. E o primeiro jogo escolhido para essa categoria foi Gris.

SOBRE O JOGO

Ele foi o vencedor do The Game Awards 2019 na categoria de jogos de impacto. Gris é um jogo que precisa ser sentido e por isso pode ser interpretado de diversas formas. A protagonista – que leva o nome do game – é uma jovem que perdeu a voz e lida com vários estágios do luto. Em cada estágio, enquanto combate e lida com as suas inseguranças, vamos vê-la crescer emocionalmente. Ela começa fraca e mal consegue colocar um pé na frente do outro. Entretanto, conforme vai ganhando confiança e juntando forças, Gris conquistará algumas habilidades e consequentemente trará mais cores ao seu mundo.

E por falar em cores, Gris é um dos jogos mais bonitos que eu já joguei. O gráfico é feito em aquarelas suaves e cada cena poderia ser emoldurada facilmente. Não há falas no jogo, somente instruções que vão surgindo conforme for avançando. E para ser sincera, as falas são desnecessárias, pois o objetivo é juntar as peças conforme a sua imaginação. A jogabilidade é bem simples. No inicio só é possível andar para frente e para trás com a personagem; aos poucos conseguimos habilidades para pular, nadar e até mesmo se transformar-se em pedra.

3 motivos para jogar Gris

1- Uma heroína que foge do tradicional

Gris é um jogo relativamente curto, mas carregado de detalhes e significados. Se você está esperando encontrar uma personagem rancorosa, vingativa e com super poderes, pode ser que não goste dessa experiência. Ela foge do tradicional e é fascinante em todos os sentidos. A jovem usa a sua inteligência para sobreviver em um mundo sombrio e conseguir trazer as cores de volta para o seu mundo.

E é possível que em algum momento você se identifique com a protagonista. Gris se vê, de repente. sem voz e sem cores. O seu mundo desaba e ela se sente completamente perdida. Ela precisa se recompor e seguir em frente, mas para isso acontecer será necessário explorar caminhos desconhecidos.

2- Enfrentando os nossos medos e encontrando a nossa voz

E por falar em caminhos desconhecidos, esse jogo permite várias interpretações enquanto exploramos cada cenário. No começo do jogo, a protagonista ganha a habilidade de se transformar em uma pedra para enfrentar uma tempestade que a impede de seguir em frente. Medos, inseguranças, tristeza profunda, angústia, ansiedade são alguns dos estágios que o jogo me permitiu identificar e refletir a respeito.

Na maioria dos jogos, há um senso de urgência. É comum vermos personagens correndo, fugindo e até mesmo explodindo coisas, mas em Gris o ritmo é mais lento. Entretanto, isso não é algo ruim, pelo contrário, o jogo prende a nossa atenção e nos encoraja a resolver os quebra-cabeças.

Quando o mundo de Gris desaba, ela não perde apenas a sua voz. A jovem não tem forças para seguir em frente e mal consegue ficar em pé. Por mais que não tenha diálogos na trama, a narrativa visual é profunda. No decorrer da história, Gris encontra sua voz novamente e também a sua força interior. E enquanto jogava percebi que independentemente da fase, não há como a personagem morrer; pois o objetivo é seguir em frente e não desistir.

Em uma entrevista os produtores Roger Mendoza e Adrian Cuevas deixaram claro que o objetivo era criar um jogo livre de frustrações, em que a jornada da protagonista que dá nome ao jogo é mais significativa do que derrotar inimigos ou superar obstáculos dificílimos.

3- Uma verdadeira obra de arte

Gris nasceu de um conceito que surgiu na cabeça de Conrad há um tempo atrás. A ideia de um mundo preto e branco que recupera suas cores à medida que o jogador avança. Queríamos criar uma experiência inclusiva, livre de frustrações e mortes, para que todas as pessoas possam aproveitá-la. É por isso que nos concentramos nos quebra-cabeças e elementos de plataforma. (fonte)

Roger Mendoza

Impossível jogar este jogo sem parar para admirar os cenários. Sempre que você passa de fase, desbloqueia uma nova cor e ver a aquarela surgindo na tela é fascinante. Sem falar que há várias estátuas colossais de mulheres. Cada ambiente convida o jogador a parar para refletir sobre a dor e como encontrar à paz.

Eu realmente recomendo este jogo! Os desenvolvedores abordaram de forma responsável um assunto delicado e necessário para discussão. O Jogo está disponível para PC, MAC e Nintendo Switch

TRAILER DO JOGO

Vocês já jogaram?