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Por Rafael Borges

Não é normal que um antagonista receba o mesmo destaque que o protagonista. Mas, no caso do Coringa, é possível discutir que ele se tornou uma marca por si só, um atrativo tão irresistível para o público que rivaliza com o herói. Não me recordo de ver pessoas andando pelas ruas com camisetas com o rosto de Lex Luthor, por exemplo. Mas com o Coringa, isso é mais do que normal – é comum.

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Nada mal para um personagem que quase foi esquecido. Nos anos 50, impulsionado pelas restrições de conteúdo impostas pelo Código da Associação Americana de Revistas em Quadrinhos, o vilão foi se transformando em uma versão caricata de si mesmo, um palhaço mais abobalhado do que aterrorizador. E essa mudança levou a uma queda na sua popularidade.

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Soma-se a isso o gosto pessoal do editor Julius Schwartz – que deu preferência a uma abordagem mais voltada para a ficção científica para o Homem-Morcego. O resultado é que o Coringa ficou ausente durante quase sete anos das histórias em quadrinhos e só foi resgatado pela interpretação marcante de Cesar Romero para o seriado televisivo de Batman nos anos 60, aquele protagonizado por Adam West.

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Com o passar dos anos, ele se tornou o maior vilão do Homem-Morcego e provavelmente um dos mais importantes antagonistas da história. Hoje, a imagem do Coringa representa a insanidade em forma de gente, a personificação da anarquia, o rompimento total com qualquer tipo de regras estabelecidas. Uma figura absolutamente ligada ao arquétipo de Dionísio em oposição às características Apolônicas de Batman, que representa a ordem, a lei e o pensamento lógico.

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No filme de 1989, Jack Nicholson interpretou um Coringa com um narcisismo extremo. Inconformado com a deformação física que sofreu, ele quer se vingar da população de Gotham City, usando seu gás do riso para que todos ostentem na face sua gargalhada assustadora. Além disso, ele sente uma necessidade mórbida de realizar suas atrocidades de forma cênica, chamando toda a atenção para si.

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No clássico A Piada Mortal, do genial escritor Alan Moore e do sensacional desenhista Brian Bolland, é mostrado que sua insanidade é tamanha que nem o próprio vilão se recorda de seu passado. Esse mesmo raciocínio é explorado na interpretação de Heath Ledger para o vilão no longa-metragem “O Cavaleiro das Trevas”, pela qual ator recebeu um Oscar póstumo.

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Em outra história clássica, Asilo Arkham, o roteirista Grant Morrisson apresenta uma versão iconoclasta do Príncipe Palhaço do Crime. Com seu humor ácido – no sentido literal – o vilão debocha de tudo o que o Batman representa. Se o caro leitor conhece essa história, com certeza se lembra da cena em que o Coringa apalpa a bunda do Homem-Morcego.

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Na seminal mini-série O Cavaleiro das Trevas, de Frank Miller, a ligação entre o herói e o vilão é abordada de forma ainda mais perturbadora. Catatônico durante mais de dez anos, o Coringa desperta para retornar suas atividades criminosas como forma de chamar a atenção de Batman, a quem ele se refere como “meu querido”.

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Quando o roteirista Jim Starlin assumiu as histórias do Detetive Encapuzado nos anos 80, ele utilizou o vilão para o clímax da saga Morte em Família. O segundo rapaz a assumir a identidade de Robin se encontrava em uma busca por sua mãe biológica quando se depara com um Coringa enlouquecido que o espanca com um pé de cabra e o aprisiona em um barracão com uma bomba-relógio. Em uma das passagens mais angustiantes das histórias em quadrinhos, Jason Todd não consegue se libertar e morre vítima da explosão.

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Como é possível perceber, o personagem se presta a uma grande gama de interpretações, cada uma delas mais assustadora do que a anterior. Ele representa o mal sem nenhuma motivação. Ele se apresenta como a mão cruel da fatalidade que pode se abater sobre qualquer pessoa, sem nenhuma razão de ser.

Por Rafael Borges

Em 1942, o psicólogo William Moulton Marston criou a Mulher-Maravilha. Baseada no mito das amazonas, a personagem foi desenvolvida como uma ação consciente para estabelecer uma imagem positiva para as mulheres nas histórias em quadrinhos. Devido ao seu pioneirismo e indubitável caráter arquetípico, a personagem se transformou em um símbolo da liberação feminina.

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Mas sejamos sinceros: você conhece alguma mulher que se identifique com a Mulher-Maravilha? Tirando a ideia básica de que ela é uma versão feminina do Super-Homem e todas as associações de poder que essa imagem lhe concede, eu nunca conheci alguém que tivesse a menor admiração por nenhum traço da personalidade dela.

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Por outro lado, não há garota que seja capaz de se ver refletida no espelho com um batom vermelho sangue e não se sinta um pouco Mulher-Gato.

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Selina Kyle é a verdadeira personificação da liberdade feminina. Com sua personalidade marcante e seu charme inegável, ela se tornou ao mesmo tempo um símbolo da sensualidade e da igualdade das mulheres perante aos homens.

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Ela é uma mulher que se fez por si só. Usando apenas as habilidades físicas e mentais que desenvolveu ao longo dos anos, ela se transformou em uma ladra procurada internacionalmente e uma aventureira mascarada capaz de rivalizar com os maiores super-heróis do planeta.

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O criador do Homem-Morcego, Bob Kane, alega em entrevistas que escolheu a figura do gato como representação do aspecto misterioso da feminilidade. O gato é um animal independente, cheio de personalidade e se move de forma ao mesmo tempo elegante e delicada. Apesar de tudo isso, ele pode ser agressivo, sorrateiro e é considerado uma máquina perfeita de caçar.

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Desde a década de 30, os roteiristas mostram a ladra felina como uma personagem pioneiramente ambígua no mundo das Histórias em quadrinhos. Claro, ela é capaz de quebrar a lei e cometer roubos. Mas também mostra um desejo de deixar o passado negro para trás.

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Talvez seja essa possibilidade de redenção que a atrai para a figura do Batman. Mas também há a questão da força incorruptível do caráter do Homem-Morcego que fascina a alma de Selina Kyle. Afinal, ela se desiludiu com todas as figuras masculinas que conheceu. Nas palavras que Frank Miller escreveu para a personagem no clássico Batman – Ano Um: “O problema com os homens é que eu nunca conheci nenhum de verdade.

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Já do ponto de vista de Bruce Wayne… Acho que não é preciso realizar grandes extrapolações para imaginar o que o leva a se sentir tentado perante a estonteante figura da Mulher-Gato, certo?

Post por Rafael Borges

Fiz questão de começar minha lista de vilões do Homem-Morcego por um dos meus favoritos. Da maneira em que foi apresentado no início dos anos 90, Bane representava a antítese perfeita para o Batman. Um adversário igualmente desafiador para as habilidades físicas e mentais do herói.

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Bane foi condenado ainda na barriga de sua mãe pelos crimes que seu pai teria cometido contra a nação fictícia de Santa Prisca, situada na América Central. Ele já nasceu com uma sentença de prisão perpétua e cresceu entre os piores criminosos de seu país. Para se manter vivo naquele ambiente altamente hostil, ele foi obrigado a se desenvolver até a perfeição física e mental, tornando-se um o mais impiedoso entre os ladrões e assassinos que ali conviviam.

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Subvertendo a história do Conde de Monte Cristo – clássico que inspirou a jornada de Bruce Wayne para se tornar o Homem-Morcego – Bane se tornou um anti-Batman, uma pessoa que treinou a vida toda para ser um criminoso.

Quando finalmente consegue escapar, ele decide continuar sua ascensão na cadeia alimentar do crime, e parte para Gotham City. Assumir o completo domínio das organizações criminosas não é numa questão de ego, de desejo ou de opção. Durante toda a sua vida, essa foi a única forma que ele conheceu para sobreviver.

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Mas só há um jeito infalível de se tornar o líder do submundo de Gotham: derrubar o Batman. Para alcançar esse objetivo, ele libertou todos os criminosos detidos no Asilo Arkham. Uma estratégia para levar o Homem Morcego ao limite e atacá-lo quando ele já tiver cruzado a linha da exaustão.

E Bane alcança seu objetivo. Ele invade a Bat-caverna e derrota um Bruce Wayne à beira do colapso físico. No golpe final, o vilão parte sua coluna vertebral, condenando o Batman à cadeira de rodas. A violenta cena de aleijamento repercutiu em todos os meios de comunicação – como não poderia deixar de ser.

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Como o caro leitor já poderia esperar, a saga termina com o detetive encapuzado recuperando seus movimentos. Mas quando o Bruce Wayne retorna para retomar o manto do Morcego, Bane já havia sido derrotado.

Ou seja: o Batman não conseguiu superar um adversário que, assim como ele, se preparou a vida toda para uma missão que escolheu. A sombra de Bane permaneceu como uma ameaça real e persistia a dúvida sobre quem venceria em um combate justo….

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