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Dani Clayton é uma ex-professora e fora contratada para ser a nova babá dos órfãos Flora e Miles. Seus pais morreram em um acidente de carro meses antes. O único membro que restou dessa família, o tio Henry Wingrave, evita de frequentar a mansão. Embora Miles tenha sido expulso do colégio interno por mal comportamento, os irmãos são apegados e aparentemente amáveis. Flora é doce, inteligente e delicada. Vive brincando com as suas bonequinhas em sua casa de bonecas.

Dani teve uma boa recepção da equipe da mansão: Owen (um cozinheiro que cuida da sua mãe doente), Sra. Hannah Grose (a governanta) e Jamie (a jardineira da residência). A história se passa em 1987, um ano após a morte misteriosa de Rebecca Jessel, a antiga babá.

Foi Flora quem encontrou o corpo de Rebecca no lago e todos acreditam que a causa foi suicídio. Só que a razão por trás da morte de Rebecca é desvendada aos poucos; conforme vamos entendendo a sua ligação com Peter Quint; ex motorista da mansão, que roubou muito dinheiro da família e desapareceu.

Menos sustos e mais segredos

É difícil falar sobre a história sem soltar spoilers comprometedores. Contudo, a Maldição da Mansão Bly usa o sobrenatural para expor os medos, desejos, traumas e as consequências das nossas escolhas. Comecei a série perdida, com poucas explicações e tinha estranhado o fato de Dani procurar por este emprego. O que ela estava escondendo? De quem ela estava fugindo?

Aos pouquinhos, assim que chega na mansão, entendemos que sua ida até Bly está ligada à sua própria culpa. Toda vez que ela se olha no espelho, aparece uma sombra masculina com intenso brilho no lugar dos olhos. Só que ele não faz nada, fica apenas parado, como se julgasse o comportamento dela.

Essa série foi muito bem desenvolvida. Todas as pistas estão lá, mas só as notamos quando as revelações surgem. Embora tenha fantasmas e alguns sustos, A Maldição da Mansão Bly ressalta a realidade e deixa a fantasia um pouco de lado. A série explora a complexidade e as percepções da memória. Todos os personagens guardam segredos e buscam conforto nas lembranças.

A maldição da mansão Bly: uma série com vários simbolismos

O personagem Owen me fez refletir muito sobre a incerteza do amanhã. Em como tentamos definir o que sentimos e nos esquecemos de que tudo é passageiro. Ele trabalha na mansão porque fica perto de sua casa e ele precisa cuidar da mãe. Owen explica o estágio de demência e fala sobre a negação, vergonha e medo de nos esquecermos o que realmente importa. Hannah foi a minha personagem favorita. Ver a sua dedicação e a forma que lidou com a sua realidade, me fez admirá-la. Ela é corajosa e determinada e adoraria saber mais sobre essa personagem.

Também me apeguei às crianças da casa! Flora é encantadora quando quer, porém, por trás daquele olhar vazio, ela faz o que for preciso para defender as pessoas que ama. E o que dizer de Miles? Me conquistou logo no primeiro episódio, mesmo achando estranho o seu jeito e duvidando das suas intenções.

Senti falta dos sustos? Um pouco. Mas a série é cheia de simbolismos e perfeita para fazer analogias. São personagens complexos, falhos, humanos. Com traumas, medos e inseguranças. Vemos como os ecos do passado são capazes de moldar nossa personalidade. A Maldição da Mansão Bly mostra que as angústias que carregamos podem ser mais assustadoras do que um fantasma.

 

 

 

Fonte: Sai da Minha Lente

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