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Assim que Por Lugares Incríveis entrou no catálogo da Netflix corri para assistir. Estava ansiosa para conferir esta adaptação, pois esta leitura me emocionou bastante na época em que eu li.

Por Lugares Incríveis vai contar a história de Violet e Finch que se conheceram de uma forma bem inusitada: ambos estavam pensando em cometer suicido. Violet não consegue aceitar a tragédia que tirou a vida de sua irmã e Finch está lutando com a sua saúde mental. No entanto, entre tantas adversidades, eles acabam se aproximando e salvando um ao outro.

Essa afinidade surge quando um professor atribui uma tarefa em classe e eles precisam trabalhar em dupla. Logo percebem que o amor é a única coisa capaz de ampará-los; então fazem de tudo para se manterem estáveis através desse sentimento. Como eu disse no início da publicação, este livro mexeu bastante comigo na época em que eu li. É uma leitura que recomendo, mas gosto de deixar claro que contém gatilhos e assuntos extremamente delicados.

Vale a pena assistir?

Gostei da adaptação, principalmente do ator escolhido para interpretar o Finch. Acredito que o diretor Brett Haley conseguiu levar para as telas o que realmente importa. Ele trabalhou em questões importantes como: depressão, ansiedade, distúrbios alimentares, bullying e conseguiu fazer com que eu me emocionasse.

Parei de comparar o livro com o filme quando comecei a estudar cinema. Eu sei que inevitável fazermos algumas comparações, mas são formatos completamente diferentes. Não sei se é por conta da repercussão de Os 13 porquês, contudo senti que a depressão foi tratada de forma bem rasa em Por lugares Incríveis.

Theodore Finch quase não tem amigos e é chamado de aberração no colégio. As pessoas evitam conversar e costumam isolá-lo. Não conseguimos compreendê-lo logo de cara e é preciso empatia para entender a sua impulsividade. Finch tem transtorno bipolar e depressão, mas seu problema é negligenciado de todas as formas possíveis. Ele mora com a sua irmã mais velha e nem mesmo Kate consegue assimilar o seu problema. Assim como sua irmã, seus poucos amigos sabem que Theodore se afasta e se isola por algumas semanas, mas não sabem como ajudá-lo e aceitam quando ele diz que “está tudo bem”.

 

todo mundo tem a sua forma de lidar com a dor

Na primeira vez que eu li o livro, demorei para compreender esse comportamento. O personagem tem muitas camadas e é preciso paciência para entender que esse isolamento acontece depois de grandes oscilações de humor e emoções. No livro ele dormia por semanas e no filme isso foi trabalhado de um jeito diferente. Mas quando ele estava “desperto” só conseguia pensar em formas para tirar a própria vida.

Violet também está com dificuldades, pois perdeu a sua irmã em um acidente de carro e desde então não consegue seguir em frente. Ela não quer mais andar de automóvel, se afasta de suas amizades e faz de tudo para não ter que realizar tarefas que exigem interação no colégio. Embora a experiência de cada pessoa sobre o luto seja única, Violet não se dá conta de que está se entregando e desistindo de viver.

Theodore reconhece os sinais e sente que precisa salvá-la, no entanto ele também precisa de ajuda. Só que as pessoas não conseguem enxergar isto. Nem sempre conseguimos identificar o problema de alguém logo de cara. Não sabemos se a pessoa está enfrentando uma batalha interna, por isso precisamos ser empáticos na hora de abordar alguém. Eu gostei do filme! Ele está disponível na Netflix