Escolhidos para você

Já que hoje eu quase perdi a minha prova por causa da manifestação que fechou a Avenida Brigadeiro Faria lima, em São Paulo, e levei o dobro do tempo para chegar em casa devido às interdições na região da Avenida Paulista que se mantiveram até 22:00 horas, me fazendo chegar em casa morta e dolorida prontinha para escrever esse post, porque não falarmos de Harry Potter e os movimentos estudantis!?

Sempre me pego surpresa com como Harry Potter é muito coerente com cada fase da evolução dos personagens principais. Mostrando não só problemas pertinentes à cada idade, mas também um narrador que foca em pontos de vista diferentes dependendo de em que fase da adolescência Harry está. Reparem bem, que até detalhes da narrativa bruta, que descreve cenários ou coisas que o Harry vê, começa muito mais básico e vai evoluindo em cada livro, não só em vocabulário como também em riqueza de detalhes e “pontos de interesse”.

Desa forma, vemos uma ruptura muito grande acontecer em Harry Potter e a Ordem da Fênix! O 5° livro é o momento onde os mundos de Harry, o bruxo e o trouxa, começam a se fundir. Para nos fazer ver como não importa em que país, posição social, ou cultura você vive, as questões importantes do mundo interferem, sim, em sua existência e merecem sim a sua atenção.

Nos filmes, a cena do voo por Londres, a caminho do Largo Grimmauld, com Harry e a Ordem passando por entre barcos, cidades, e se permitindo ver, ilustra isso de uma forma muito forte. Independente do decreto que exige que os bruxos vivam sem que os trouxas saibam de sua existência, esses mundos coexistem, ambos usufruem do mesmo mundo. A mesma Londres de pessoas de terninhos no metrô é a Londres onde fica a Sede da Ordem da Fênix, onde fica a resistência bruxa contra a tirania de Voldemort!

É nesse momento, aos 15 anos, que pela primeira vez uma batalha se apresenta aos personagens. Dessa vez não uma luta pela sua vida, mas uma que requer “livros e inteligência”. Uma batalha que mostra a frustração de Harry por perceber que ser apenas corajoso e sagaz não será o bastante no mundo lá fora, onde as forças das trevas se escondem e ganham espaço por trás da burocracia, se mantendo escondidas ao olhos de todos apenas pelo desejo que  os governantes tem de se manterem cegos e manter o povo feliz e confortável.

Os desmandos em Hogwarts, as perseguições à Harry e Dumbledore, são um exemplo muito forte do que vemos em dezenas de distopias por ai: panem et circe. Pão e circo.

A guerra que os estudantes travam contra Dolores Umbridge e as tentativas dela de transformar Hogwarts em uma extensão do gabinete do ministro da magia, de mostrar pera o bruxo médio que “tudo está bem” e que o que não está está sendo corrigido, é muito maior do que varinhas em punho. É uma batalha de inteligência, resiliência, é um imenso tabuleiro de xadrez! É ver onde as leis podem ser usadas para meios escusos, onde o “dentro da lei” nem sempre significa o correto e onde eles aprendem que nem sempre podemos deixar nossas vidas à mãos de nossos governantes e só vivermos confiado que eles estão fazendo o melhor por nós.

Ver, em Ordem da Fênix, como o ministro da magia, Cornélio Fudge, tentou tanto fazer tudo certo, tudo para por o mundo mágico “em ordem”, como ele cegamente acreditava nisso, como ele achou que Dumbledore e Harry estavam só querendo criar pânico, quando na verdade, era chegado o momento em que as leis estavam beneficiando o inimigo e que era o momento de mudar, de entender e não só mandar, de viver a comunidade que ele comandava, não só de trás do conforto do seu gabinete, mas nas ruas onde realmente o pânico já estava acontecendo, pessoas sumindo, famílias sendo ameaçadas e cuja voz não conseguia chegar nos subterrâneos de Londres, de onde Fudge só dizia “Tudo está bem!”, nos faz questionar, junto com o Harry, e aprender com ele que mesmo quando o inimigo tenta te fazer pensar que está isolado, quando seu motivo é nobre e tem valor, sempre haverá alguém para te apoiar e para se colocar à frente de uma revolução junto com você, seja ela uma luta contra uma Alta Inquisitora tirana, seja numa batalha mortal contra o Partido das Trevas!

A mim Harry sempre ensinou a sermos fortes e unidos, e vocês, qual foi maior lição que tiraram de Harry Potter?